TRÊS MANEIRAS DE ALEGRARMOS O ESPÍRITO SANTO

Por Rev.Ronaldo P Mendes

“Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo. Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.” (Efésios 4.25 – 5.1-2)
Escrita para os irmãos da igreja em Éfeso (Capital da província Romana da Ásia – 60 -61 d.C), entre outros assuntos, Paulo destaca a unidade da igreja e toda a criação sob o governo do Cristo ressuscitado (1.20-22a). O apóstolo destaca a obra e a pessoa do Espírito Santo. Ele deixa claro que tudo que há de bom em nós tem sua origem no Espírito Santo. Paulo destaca algumas funções que o Espírito de Deus realiza em meio ao seu povo, guardar, consolar e santificar. Nesse ponto o apóstolo chama o Espírito de “Santo Espírito da promessa”(Ef. 1.13, cf Lc 24.49). No verso 30 do texto lido, a palavra grega para “entristecer” significa, entre outras,: “ofender” (Que é: afronta), “vexar”(que é: humilhar), “insultar” (ou ofender). Em outras palavras, “entristecer” o Espírito é o mesmo que rejeitar a sua função!
A natureza pecaminosa do homem entristece o Espírito Santo! (como afirma Paulo). Mas como podemos mudar este triste realidade? Com base no texto lido, alegramos o Espírito de Deus:
QUANDO TEMOS COMUNHÃO UNS COM OS OUTROS (V.25-29)
Promovemos a comunhão deixando a mentira (v.25) – Deus abomina lábios mentirosos: “Os lábios mentirosos são abomináveis ao SENHOR, mas os que agem fielmente são o seu prazer.”(Pv 12.22). O que é “mentira”, (falsidade). Jesus disse que o pai da mentira é satanás (Jo 8.44). Qual é a ordem de Paulo: “Deixando, ou despir-vos, tirai a roupa” (v.25). Veja o verso 24. A mentira deve ser lançada fora como algo que não pertence ao novo homem.
Promovemos a comunhão deixando a ira pecaminosa (v.26-27) – Veja uma outra tradução: “Que sua ira não esteja associada ao pecado”(v.26). A ira em si não é necessariamente pecaminosa. É atribuída à pessoa de Deus (Cf 1Rs 11.9; Sl 71.11, e outros), e a Cristo (Sl 2.12; Mc 3.5). A ira justa é contra o pecado e a injustiça. Mas quando é contra o próximo, facilmente se degenera em ódio e ressentimento. Assim se torna pecado e acaba com a comunhão. Obs: Quando vamos para a cama irados, estamos dando lugar ao diabo (v. 26b-27). Ele fará com que esta ira e torne em ódio. Devemos resistir ao diabo (cf Tg 4.7).
Promovemos a comunhão obedecendo ao 8º Mandamento da Lei de Deus (v.28) – Os dez mandamentos se dividem em duas partes: O relacionamento do homem com Deus (1 ao 4) e do homem para com o seu semelhante (5 ao 10 – cf Êx 20). Quando há quebra deste mandamento, há prejuízo na comunhão. E Paulo diz: “não furte mais” (v.28). Deveriam ser honestos em seu proceder. Ajudando o necessitado. O cristão não deve ser egoísta, mas altruísta.
APLICAÇÃO: Nós alegramos o Espírito de Deus quando vivemos em comunhão! Os irmãos em Éfeso deveriam viver em coerência, conheciam a verdade e tinham que vivê-la. A mentira, por menor que seja, é prejudicial à vida espiritual da igreja.
Ainda, no texto lido, alegramos o Espírito de Deus:
QUANDO PROFERIMOS PALAVRAS QUE EDIFICAM (V.29)
O que é edificar? – A idéia é de um prédio em construção (cf Ef 2.20-21). A base é Cristo, e somos responsáveis em promover o crescimento (edificação) deste prédio.
Para haver edificação devo ter palavras que edificam (v.29) – As palavras torpes (depravada, imoral, pervertida) não edificam (Ef 5.4). Estas palavras contaminam o homem: “Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem.”(Mt 15.18). Por isso devemos falar assim como Davi: “Põe guarda, SENHOR, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios.” (Sl 141.3)
Promovendo a edificação com minhas palavras (V.29b) – Paulo diz que temos que ter palavra “boa para a edificação”. Visando a necessidade do Corpo (cf Ef 4.12). Veja o conselho de Paulo aos colossenses: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um.”(Cl 4.6). “Temperada com sal”, o que o sal faz? Dá sabor, conserva, faz a diferença.
APLICAÇÃO: Nós alegramos o Espírito de Deus quando proferimos palavras que edificam. Você não vai alegrar ao Espírito Santo com sua boca suja. Não se deve esquecer que precisamos vigiar o coração, pois dele é que procede estas palavras, como disse o nosso Senhor Jesus.
E por fim, no texto lido, alegramos o Espírito de Deus:
QUANDO CULTIVAMOS SENTIMENTOS SAUDÁVEIS (V.31)
A amargura e cólera não são sentimentos saudáveis (v.31) – O que é “amargura”? Ressentimentos contra o próximo, guardados no coração causam a amargura. Quando tem oportunidade, a pessoa amargurada fere o irmão. O remédio contra a amargura está na confiança em Deus: “Quanto a mim, porém, amargurado e aflito, ponha-me o teu socorro, ó Deus, em alto refúgio.”(Sl 69.29). A “cólera” é um sentimento de fúria. Veja a sentença contra este sentimento: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.” (Mt 5.22).
A ira, gritaria e blasfêmia e malícia (v.31b) – Com certeza não são sentimentos saudáveis! Paulo já falou sobre a ira (v.26). Aqui ele diz sobre o sentimento de ira pecaminosa (um pessoa que vive indignada), que deve ser abandonado. Gritaria – Uma pessoa que perde seu autocontrole. Ela não tem domínio de si. E infelizmente esse é o perfil do homem moderno: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos,… sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem,”(2Tm 3.2-3). Blasfêmia – No grego, esta palavra não está ligada diretamente a algo religioso. Pode ser traduzida como: “calúnia, maledicência (crítica destrutiva)” (cf 1Tm 5.14). São palavras escarnecedoras e insolentes! Malícia – Aqui significa “má inclinação da mente”(grego). Esta é a realidade do homem natural, que Salomão destaca: “… também o coração dos homens está cheio de maldade, nele há desvarios enquanto vivem; depois, rumo aos mortos.”(Ec 9.3). O desejo de pecar, de se entregar aos prazeres deste mundo.
Quais são os sentimentos saudáveis (v.32 – 5.2)? – (1) – Bondosos para com o próximo (v.32a)- (2) – Compassivos – (sensível aos problemas do irmão) – (3) – Prontos a perdoar (v.32c)- Assim como Deus – (4) – Andando em amor (5.2a) . Em suma imitar a Deus (5.1).
APLICAÇÃO: Nós alegramos o Espírito de Deus quando cultivamos sentimentos saudáveis. Abandone a amargura, a ira pecaminosa e tome cuidado com língua. Tenha domínio de si mesmo, não deixe ser dominado por sua natureza pecaminosa. Muitos dizem: “Nasci assim vou morrer assim”. Esta é a frase mais ignorante que já ouvi. Jesus não ensinou isto, pelo contrário ele disse aos pecadores: “vai e não peques mais.”(Jo 8.11; 5.14).
CONCLUSÃO E APLICAÇÃO FINAL: Como eu alegro o Espírito de Deus? QUANDO TENHO COMUNHÃO UNS COM OS OUTROS. A mentira, a ira e outros pecados não podem tirar esta comunhão. QUANDO PROFIRO PALAVRAS QUE EDIFICAM – Minha boca deve ser usada para abençoar a igreja e não para “praguejar”, ou maldizer. E por fim, QUANDO CULTIVO SENTIMENTOS SAUDÁVEIS – Amargura a malícia e outros sentimentos pecaminosos não podem fazer parte de minha vida. Sou uma nova criatura. Meu objetivo é alegrar o Senhor que tanto me amou. Amém!