QUANDO PALAVRAS SÃO VENTO

Por John Piper
“Acaso, pensais em reprovar as minhas palavras, ditas por um desesperado ao vento?”(Jó 6.26).
Quando estão em tristeza, dor e desespero, as pessoas dizem coisas que não diriam em outras circunstâncias. Elas pintam a realidade com tons mais escuros do que a pintarão amanhã, quando o sol despontar. Tais pessoas cantam em notas menores e falam como se aquela fosse a única melodia. Eles vêem apenas nuvens e falam como se não houvesse céu.
Tais pessoas dizem: “Onde está Deus?” Ou: Não há proveito em continuar vivendo”. Ou: “Nada faz sentido”. Ou: “Não há esperança para mim”. Ou: “Se Deus fosse bom, isto não teria acontecido.”
O que faremos com estas palavras?
Jó disse que não precisamos reprovar tais palavras. Elas são vento ou, literalmente, para o vento. Tais palavras desaparecerão rapidamente. Haverá uma mudança nas circunstâncias, e a pessoa desesperada acordará das trevas noturnas e se arrependerá das palavras precipitadas.
Portanto, não desperdicemos nosso tempo e energia reprovando tais palavras. Elas desaparecerão por si mesmas, ao vento. Uma pessoa não precisa podar folhar no outono; é um esforço inútil. Elas logo se espalharão aos quatro ventos.
Quão rapidamente nos dispomos a defender a Deus – ou, às vezes, a verdade – contra palavras que são ditas apenas ao vento. Existem muitas palavras, premeditadas e ponderadas, que precisam de nossa reprovação, mas nem toda heresia desesperadora, dita irrefletidamente em horas de agonia, precisa ser respondida. Se tivéssemos discernimento, poderíamos ver a diferença entre palavras profundas e palavras ditas ao vento.
Existem palavras que têm raízes em erros e males profundos. Mas nem todas as palavras cinzentas obtêm sua cor de corações pretos. Algumas são coloridas principalmente pela dor, pelo desespero. O que você ouve não são as coisas mais profundas do coração. Existe algo real em nosso íntimo, de onde procedem as palavras, mas é temporário – como uma infecção passageira – real, doloroso; mas não é a verdadeira pessoa.
Aprendemos a discernir se as palavras faladas contra nós, contra Deus e contra a verdade são apenas ditas ao vento – proferidas não da alma, mas do sofrimento. Se são palavras ditas ao vento, esperemos em silencio e não reprovemos. Restaurar a alma, e não reprovar o sofrimento, é o alvo de nosso amor.

Fonte: Livro “Uma vida voltada para Deus” Ed. Fiel, adaptação para o blog: Rev.Ronaldo P. Mendes