Os dois construtores

“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia;….” (Mateus 7.24-26)
Jesus conclui o sermão do monte com uma parábola; a parábola “dos dois construtores”. É importante para o nosso estudo analisarmos o modo de construção da época de Jesus. As construções rurais dos dias de Jesus eram, geralmente, feitas com barro endurecido. Os ladrões conseguiam cavar e atravessar essas paredes (ver Mt.6.9). Quatro homens fizeram uma abertura no teto da casa onde Jesus estava ensinando, para que por ela fazer baixar o leito onde estava seu amigo paralítico (Mc 2.3,4). Esse teto era feito de barro com palhas, por isso a facilidade de ser arrombado.
Ambas as casas citadas, eram construídas as margens do rio; então o perigo poderia chegar a qualquer momento quando chovesse. O construtor prudente escolhe um local sobre a rocha. Assim, ele não temerá que com uma chuva torrencial, com súbito transbordamento do riacho arraste sua casa. Rajadas de ventos virão sobre ela, mas ela ficará firme. O alicerce da casa resistirá.

Tudo depende do alicerce.
Jesus e a explanação da parábola:
Jesus realça que o significado figurativo do alicerce é “estas minhas palavras”, ou seja, todo o sermão do monte (Caps 5-7), e por extensão da figura, todas as palavras que procedem da boca de Jesus.
É correto dizer que no que concerne a interpretação ou significado espiritual da parábola, Cristo mesmo é a Rocha: “Portanto, assim diz o SENHOR Deus: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, pedra já provada, pedra preciosa, angular, solidamente assentada; aquele que crer não foge.” (Is 28.16 cf. I Pe 2.6; Rm 9.33; I Co 3.11). O que é dito sobre Deus como a Rocha dos crentes (Dt 32.15; Sl 18.2), é também dito de Jesus, pois assim como o pai Cristo tem autoridade.
Segundo o ensino de Jesus no (v.24), edificar alguém a sua casa sobre a rocha significa não somente ouvir o Senhor, mas, em gratidão pela salvação (expressa no cap 5) recebida; colocar em prática os seus mandamentos.

Vejamos algo inevitável na vida dos dois construtores:


1- O dia em que cair a chuva (v.25a)


a) O dia da prova é para ambas as casas
– Independente se construiu sobre a rocha ou não. A chuva é despejada sobre as duas casas; com certeza em cima do teto. Por serem construídas as margens de um rio, com certeza a chuva transbordaria.

b) O insensato não pensava nessa possibilidade.
– Ele erguia a sua casa como se estivesse armando uma tenda; e colocando-a mais próxima do rio para aproveitar mais (v.26-27).

Aplicação:
Assim também para todo ouvinte do evangelho, seja ele sensato ou não, a prova ou crise chega. Ela chega de várias formas: tribulações (Gn 22.1; Livro de Jó); tentação (Mt 26.69-75); luto (Jó 1.18-20) morte (At 7.59,60).

Ainda há algo inevitável na vida dos dois construtores:

2- O efeito e conseqüência das chuvas {prova} (v.27)

a) A casa do sábio não caiu note o que sobreveio a ela (ler v.25 e Lc 6.48).
Essa casa suportou as terríveis forças arremetidas da tempestade. Porque ela conseguiu resistir? Jesus responde: “.…porque fora edificada sobre a rocha.”(v.25b). A casa do insensato não resistiu Jesus diz: “…e ela desabou, sendo grande a sua ruína.”(v.27b). E em Lucas lemos:“Todo aquele que vem a mim, e ouve as minhas palavras, e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante. É semelhante a um homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala e lançou o alicerce sobre a rocha; e, vindo a enchente, arrojou-se o rio contra aquela casa e não a pôde abalar, por ter sido bem construída.” (Lc 6.47-48).


b) O homem sensato edificado sobre a rocha jamais será envergonhado:
“Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado.” (1 Pe 2.6). Jesus aqui não está ensinando a doutrina das obras, mas sim que o fundamento da felicidade eterna do homem não deve ser buscada no próprio homem, e sim em Cristo e suas Palavras.

c) A casa do Insensato desabou (v.27)

– A sua casa estava sobre a areia. Na realidade, o anúncio trágico do fim dos incrédulos (v.27), é uma manifestação da misericórdia de Cristo, um sério convite implícito ao arrependimento: “Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Cf 4.17) estendendo a todos os que vivem no dia da graça.

Conclusão e aplicação: Onde você edificou ou edifica a sua casa na Palavra de Cristo, ou não? Quando vir a tribulação, você estará preparado? Fale assim como o salmista: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!” (Sl 119.97).Que o Senhor te abençoe!

Rev. Ronaldo P. Mendes

6 Comentários

  1. Shalom!

    1. Amado Rev Ronaldo, fui edificado com esta relevante mensagem. Que o Deus Eterno lhe conduza em triunfo – II Co 2.14

    2. Meu novo livro: Mensagens que transformam, estará disponível no final deste mês. Esta singela obra foi prefaciado pelo ilustre Rev. Hernandes Dias Lopes.

    3. Caso o sr tenha interesse em adquirir esta obra, entre em contato com este irmão:

    evmarcello.olliver@gmail.com

    grato, Pr Marcello

  2. É muito importante esta postagem, confesso que fazia tempo que não mediatava quanto as tantas aplicações desta parábola. Fez-me pensar no desenrrolar da história, tanto judia quanto gentilica e a forte mensagem de Deus a respeito de se guardar a sua palavra para ambos. Quando a Bíblia não traz o pronuncianemto do próprio Deus a respeito disto, os seus autores tratam de narrar a fala pessoal ou de outrem quanto o dever de se guardar e meditar na palavra de Deus. O Salmo 119.11 narra justamente o lado do homem que confessa que guardou a palavra no seu coração para que não pecasse contra Deus. Trocando em miudos e aplicando o texto a cada momento da história, percebo que a rocha sempre foi e sempre será a palavra, seja ela escrita ou seja ela revelada, Cristo. Mas, a areia é um figura transitória ao longo do tempo. A areia já foi o gnosticismo, o iluminismo, o renascentismo, e reflito nesta questão trazendo essa questão desde o século 19, ou seja, a areia do momento é a experiência tentando explicar a Bíblia e não o contrário. Cheguei a conclusão de que toda experiência boa é aquela que a Bíblia explica, do contrario, tudo não passa de areia.

    Obrigado pelo espaço, que Deus o abençoe.

    Graça, paz e saúde.

  3. Graça e paz!

    Que artigo maravilhoso! Foi exposto de uma forma que nunca tinha visto antes.

    Deus o abençoe e lhe inspire cada vez mais.

    Obrigada por seguir "A Tenda na Rocha".

  4. Caro Rev., Graça e paz!
    Tardiamente retorno meus agradecimentos pela visita e comentário ao nosso humilde blog, porem nesta demora houve o grande proveito de deparar-me com este lindo post, exposto de uma forma tão abençoada.

    Deus o abençoe.

    estamos neste momento adicionado o Solus Chritus à nossa lista de blogs preferidos

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