LIVRAMENTO PELA ALIANÇA

 “Quanto a ti, Sião, por causa do sangue da tua aliança, tirei os teus cativos da cova em que não havia água.” (Zacarias 9.11)
  Falando aos judeus em Jerusalém, é como se o profeta dissesse: “Vocês não têm razão para se atormentar com pensamentos confusos e ansiosos, porquanto cumprirei a promessa de ser o libertador do meu povo”, pois deve-lhes ter ocorrido esta dúvida: “Por que somos exortados a estar alegres quando ainda parte da Igreja de Deus continua cativa e os que voltaram a Jerusalém são afligidos de maneira miserável e cruel pelos inimigos?”. A essa objeção, Zacarias responde, na pessoa de Deus, que Deus pode livrá-los, ainda que estejam no fundo do mais insondável abismo. Como sabemos, nos termos da aliança, a relação entre Deus e o seu povo é mútua; a aliança é de Deus, porque vem dele; é da Igreja, porque foi feita em prol dela sendo, como que, depositada no seu seio. Ora, assim como Deus, pelo seu favor, recebe e guarda vocês em segurança, assim também ele libertará os cativos da sua Igreja. Em suma, ele quer dizer primeiramente que os judeus estavam no fundo do abismo e, em segundo lugar, que a sede os consumiria, de modo que a morte estaria mui próxima deles, se Deus não os libertasse milagrosamente. Mas o profeta lembra-lhes que nenhum impedimento obstaria Deus de os tirar da mais profunda escuridão para a luz.

Oração: Concede, ó Deus onipotente, que assim como hoje não procuramos um Redentor que nos liberte das misérias temporais, mas apenas continuamos a combater sob o estandarte da cruz, até que venhas do céu para nos reunires no teu reino bendito, — ó concede que suportemos com paciência todos os males e angústias e que, assim como Cristo derramou o sangue da nova e eterna aliança de uma vez por todas, dando-nos também a Santa Ceia como símbolo dela, e, confiando em selo tão sagrado, jamais duvidemos que ele sempre nos será favorável e nos manifestará o fruto dessa reconciliação, quando tu, depois de teres nos amparado temporariamente sob o fardo das misérias por que somos agora oprimidos, nos reunires na glória bendita e perfeita que adquiriste para nós pelo sangue de Cristo, nosso Senhor; glória que nos é apresentada diariamente no seu evangelho, e depositada para nós no céu, até que ao final a desfrutemos mediante Cristo, nosso Senhor. Amém.

Por João Calvino, Devotions and prayers of John Calvin; via Monergismo.com; Adaptação para o blog: Rev. Ronaldo P Mendes.