A TEOLOGIA SECULAR

 Todo o ambiente cultural em que se desenvolve a teologia vem mudando. O modo de a raça humana encarar a realidade está sofrendo alterações. Nos períodos anteriores, a maioria das pessoas cria em Deus. Pensava-se que sua atividade fosse a explicação da existência do mundo e do que nele acontece, e ele era a solução dos problemas enfrentados pelos homens. Hoje, porém, muitos confiam no visível, no aqui e agora, e em explicações que não reconhecem nenhuma entidade transcendente. Esses tornaram-se seculares, ou seja, inconscientemente, passaram a seguir um estilo de vida que, na prática, não tem espaço para Deus. Parte dessa concepção secular resulta de um pragmatismo básico. Os progressos científicos têm conseguido suprir as necessidades humanas; a religião deixou de ser necessária ou eficaz. Portanto, vivemos numa era pós-cristã.
 
Existem duas respostas possíveis da igreja diante dessa situação. Uma é ver o cristianismo e o secularismo como adversários mutuamente excludentes. Nos últimos anos, porém, uma resposta diferente vem sendo cada vez mais adotada por teólogos cristãos. Trata-se de considerar o secularismo não como um adversário, mas como uma expressão madura da fé cristã. Um dos precursores dessa abordagem {Dietrich Bonhoeffer (1906-1945)} desenvolveu uma posição a que se referia como “cristianismo a-religioso”. Deus educou sua mais alta criatura para ser independente dele. Assim, Deus vem atuando no processo de secularização.
 
A teologia secular rejeita a ideia tradicional de que a salvação consiste em ser retirado do mundo e receber uma graça sobrenatural de Deus. Antes, a salvação não é obtida tanto por meio da religião, mas pelo afastamento dela. Ter consciência da própria capacidade e utilizá-la, tornar-se independente de Deus, emancipar-se, afirmar-se e se envolver com o mundo – esse é o verdadeiro significado da salvação.
Por Millard J. Erickson, “Introdução à Teologia Sistemática”, resumo e adaptação para o blog: rev. Ronaldo P Mendes