A INUTILIDADE DE MARCAS EXTERNAS

A grande maioria das pessoas trazem no corpo alguma marca, às vezes mais de uma, que identificam ações ou acontecimentos do passado. Eu mesmo trago na coxa uma grande cicatriz produzida por um prego, quando aos 8 anos de idade corria por um beco da casa de um amigo vizinho. Essas marcas produzem lembranças que marcaram definitivamente a nossa vida. Os judeus do sexo masculino traziam em si a marca da aliança que Deus fez com Abraão. Trata-se da circuncisão que era realidade em todo menino judeu ao oitavo dia de nascido. Devemos lembrar que essa marca era produzida pelos pais, e que a criança só tomaria conhecimento do significado dela vários anos depois. Isto acontecia por ser uma marca externa, algo que não fora acompanhado por uma transformação consciente ou experiência interna. Entretanto, o povo judeu se vangloriava por ter tal marca, e chegava a alegar prioridades e privilégios diante de Deus por ter todos os homens circundados. A carta de Paulo aos Romanos 2:26-29 traz um alerta muito sério contra alegações de ações externas que produziriam supostos privilégios espirituais.
1 – As marcas no corpo e a Lei
Já somos sabedores que a circuncisão foi estabelecida por Deus como um símbolo de sua íntima participação na vida do seu povo. Além disso, o local reservado para a marca, também significa individualidade e privacidade, pois tratava-se de um relacionamento pessoal. Ser povo da aliança implicava em ter a graça de ter acesso a lei que Deus havia dado através de Moisés. O desejo de Deus era e é que o Seu povo conhecesse e obedecesse à Sua vontade. A marca externa no corpo, os rituais e as exigências estabelecidas eram memoriais para o povo servir a Deus, continuamente. Lamentavelmente, os judeus passaram a dar mais importância à marca física do que à obediência da lei, fazendo o exterior mais importante que o interior. Esse grande equívoco pode também nos atingir hoje. Você pode ser tentado a achar que o fato de freqüentar a igreja, ter uma bíblia exposta na sala da sua casa, ou qualquer outra ação externam seja o que Deus deseja para você. Ter marcas externa não é um erro, porém achar que elas são suficientes para agradar a Deus é um grave e sério erro.
2 – Marcas em não cristãos condenando cristãos
Pode lhe soar estranho, mas o Apóstolo Paulo advertia aos judeus que eles conhecendo a lei não a obedeciam, enquanto que os não judeus, mesmo sem marcas externas, obedeciam (Rm 2:27). Tal argumentação visava deixar explícito que o obedecer a vontade de Deus é o mais importante. Assim, Deus se agrada daqueles que praticam a sua vontade, e mais, quem a pratica rejeita quem a desobedece. Este é um quadro triste e vergonhoso. Há pessoas que não conhecem a bíblia, como muitos cristãos conhecem, pessoas que não foram marcados pelos costumes evangélicos, entretanto vivem de maneira mais sadia que alguns que se declaram marcados por Deus. O que irá acontecer? Paulo responde: “Assim, vocês, judeus (cristãos), serão condenados pelos não judeus (não cristãos)” Rm 2:27.
3 – Marcas internas produzidas pelo Espírito Santo
É muito importante reconhecer que a ação de obedecer é o resultado de uma vida que foi interiormente transformada pelo Espírito Santo (Rm 2:29). Mesmo sabendo que não cristãos podem dar alguns sinais de obediência, na verdade sua atitude não deixa de refletir auto-satisfação como fator decisivo. Todo ser humano não transformado pelo Espírito de Deus é egoísta. Somente Deus tem o poder de nos fazer obedecer com prazer a sua lei (Sl 19). Somente quando a marca interna da salvação é colocada no coração humano, esta pessoa se torna pronta a obedecer a vontade de Deus.
Quais as marcas que você traz do evangelho? Quanto do que as pessoas vêem do seu exterior reflete a realidade do seu interior? Que testemunho os não cristãos que lhe conhecem dão de você ? Ao final de mais um ano, essas são perguntas que não podem ficar sem respostas.
Autor: Rev. Sérgio Lyra (http://www.comunidadeamiga.com.br)